terça-feira, 31 de maio de 2016

Lavanda e Camomila

Apesar de ter ar de quem não repara muito no que se passa à sua volta, gosto de observar as pessoas e as coisas que elas me transmitem. As pessoas são veículos e mandam cá para fora aquilo que têm a pulsar lá dentro. Eu sou a esponja.

Há pessoas leves, pesadas e as insuportáveis. Há as limpidas e as turvas, há as que nos dão vontade de viver e as que no-la roubam. As inspiradoras e as consumistas. Há pessoas.

Comecei a gostar delas quando comecei a gostar de mim e a compreender que apesar de ser esponja não tenho de assumir como meu o ambiente dos outros, o que é um erro crasso e muito comum. E ao observar, foi isto que vi: Levamos boa parte da vida a procurar quem nos complete, quem nos faça sentir coisas fortes e aparentemente seguras. Queremos uma salvação com pernas, braços e um coração e de preferência que faça o que nos compete - conhecer-nos. Creio que esse modo "romântico-depressivo" está errado. Nós iremos sempre precisar de outras pessoas, mas não como curas. As pessoas são complementos para nós e nunca substitutos do que nós temos de ser. São mais-valias, enriquecem-nos e elevam-nos mas não devem respirar por nós. É mais fácil possuir a vida do outro do que conquistar a nossa própria vida... como se a paixão nos preenchesse todas as lacunas. Não preenche coisa nenhuma. Depois de esfumada, vês que permaneces com os teus velhos fantasmas e mais os que adquiriste do outro. Podemos viver 20, 30, 40 anos a depender de alguém para o nosso bem estar. Nós precisamos uns dos outros sim, mas nunca haverá quem nos forneça a plenitude constante. As pessoas não são Deus e a vida não é um filme de Hollywood, é um campo de batalha no qual não ganha o mais forte mas o mais lúcido.

O que eu noto é que a maioria das pessoas não se conhece. Não conseguem exprimir mais do que opiniões acerca do tempo e do que ouve na TV ou lê nos jornais. Têm pouco contacto com o que é genuíno, puro, limpo e que está dentro delas próprias. Têm dificuldade em exprimir mais do que "isto está mau" e "não há dinheiro". Consumidores do que já foi ruminado, com o discernimento toldado pela imprensa cor de rosa ou as notícias da uma. E não sabem do que realmente precisam lá no âmago porque nunca aprenderam nem têm tempo para pensar nisso. Apenas sentem que lhes falta algo ou alguém que tape os buracos. Um comprimido para dormir resolve ou então um cházinho quente para confortar a alma, pelo menos por hoje.

Se eu pudesse dizer tudo o que vejo na expressão das pessoas dizia. Mas tenho de ter algumas conversas comigo primeiro.







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