sexta-feira, 13 de maio de 2016

Como as nuvens que passam

Ultimamente tenho-me dedicado a fotografar nuvens, daquelas bem espessas. Nuvens de chuva e trovoada que não param de pairar pelo país fora. Procuro as que são mais iluminadas pelo sol para fazerem contraste com as escuras, o que resulta num efeito muito agradável a meu ver. Algumas vezes tive de me apressar para que elas não desaparecessem com a força do vento. É que as nuvens não esperam por nós. Enquanto nós andamos cá em baixo na nossa vida, inúmeras coisas nos passam por cima e nem mesmo os engenheiros meteorologistas conseguem controlar isso.

Nós comuns mortais não controlamos coisa nenhuma. Nem o tempo, nem a temperatura, nem o amanhã, e nem o hoje. Tudo o que podemos controlar é o que sai da nossa boca e o que vai na nossa cabeça. E só. O controlo cansa, desgasta, envelhece, satura e enlouquece quando em doses excessivas. Porque na verdade não fomos feitos para controlar coisa nenhuma mas apenas a nós mesmos e fazemo-lo através das nossas escolhas. Porém não podemos escolher pelo outro, nem mesmo por amor. Muitas pessoas são assim como as nuvens - passam por mim e eu reparo nelas, aprecio-as e guardo-as nas minhas fotografias fazendo de conta que são minhas, mas em liberdade.







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