sábado, 27 de maio de 2017

A canção da árvore

Uma árvore nunca muda de lugar. Ela muda as folhas, renova os frutos mas sempre no mesmo sítio. Uma árvore nunca muda de identidade. As que nascem para dar laranjas nunca darão pêssegos, pois nasceram para serem laranjeiras e sê-lo-ão para sempre. As árvores são firmes a vida toda. Perseveram, não têm medo do que vem a longo prazo, sabem esperar e dão frutos no tempo certo. Dão o seu próprio fruto, segundo a sua natureza. São confiáveis, certas e estão sempre lá. Não importa a estação do ano, são muito fortes.

Há grandes árvores, imponentes, poderosas e fortes, mas que se sentem um arbusto. Têm potencial para dar a volta ao mundo mas temem saír do lugar onde estão. Sentem-se arbustos porque alguém, algum dia lhes disse que nunca iriam passar disso, e uma mentira dita no momento certo pode encolher-nos por toda a vida. Pessoas que já caídas foram ainda mais humilhadas em vez de serem ajudadas a levantarem-se. Hoje ouvi uma música que me inspirou a escrever isto e que dizia:

"I choose not to beat you when you're down, but to lift up your arms and say that you were born for greatness and great you will be."

É tempo de os arbustos voltarem a ser árvores.



segunda-feira, 8 de maio de 2017

Uma casa e um menino

Dar-me com pessoas é como entrar numa casa. 
Há casas muito bonitas em que apetece entrar e estar, bem decoradas e espaçosas, mas que exigem que entremos sem sapatos, ou com uma roupa adequada. Temos de ter maneiras, temos de nos saber comportar e refrear, quase como se fosse um templo católico cheio de silêncios. Há casas bonitas e cheias de luz, onde entramos e podemos estar à vontade. Tem uma mesa posta com uma cafeteira de chá quentinho à nossa espera, mas onde apenas nos sentamos para ouvir falar... e não temos oportunidade de falar muito. Há casas pequeninas e escuras, onde não há espaço. 
Há casas inexplicáveis, simples e muito agradáveis onde podemos estar à vontade. Onde podemos falar, onde entramos sem cerimónias e queremos ficar mais um bocadinho, sem termos vergonha de comer mais uma ou duas fatias de bolo. Rimos ou choramos conforme o ambiente. 

Para mim há duas coisas fundamentais numa amizade - conforto e segurança. Tal como numa casa. Conforto suficiente para estar à vontade, segurança para ser à vontade. O meu Lucas faz-me sentir isto muitas vezes. Porque tem 3 anos de vida e já consegue ser consolo e segurança para uma mulher de 41. Sabe dizer-me o que gosta ou não em mim, se prefere o cabelo apanhado ou solto, se gosta do que visto ou do que vejo na TV, se estou mais triste dá-me beijinhos nas bochechas e põe-me a rir num instante. Ele é bom para mim mesmo quando lhe ralho... ele desafia-me e é muito exigente mas nunca me sinto mal por isso. Porque o coração dele é puro e eu sei qual a sua intenção. E eu preciso saber quais as verdadeiras intenções que levam as pessoas a fazerem o que fazem. As aparências não me convencem, tal como uma casa grande, moderna, bem decorada e limpa pode não significar que me sinta bem lá dentro. O Lucas nunca precisou de truques, nem sequer precisou de saber falar para eu saber que eu e ele somos ligados por um fio invisível. Ele é a minha casa perfeita e eu a dele, apenas por uma coisa - sabemos o que queremos um do outro.

Conforto e segurança.