sábado, 30 de janeiro de 2021

O confronto necessário

A vida muitas e muitas vezes leva-nos a becos sem saída e a situações extenuantes e cansativas. Em diversas ocasiões procuramos paz e quietude para organizar as nossas ideias, mas esse lugar está muito afastado de nós e simplesmente não conseguimos alcançá-lo. E a guerra que começou no nosso exterior passa para dentro da nossa alma e da nossa cabeça, e a batalha passa a a ser a nossa batalha pela sanidade mental e pelo bem estar que algures ficou caído.

Estamos precisamente nesse momento a alterar o cunho da nossa luta. Ela passa a ser a luta pela nossa posição, pelos nossos valores e pelo nosso carácter. Estamos na situação perfeita para se dar a grande viragem na nossa vida - confrontamo-nos a nós mesmos. Vamos ver do que somos feitos afinal. 

Não nos damos conta que durante todo esse processo, desenvolvemos os nossos músculos, e tomámos inconscientemente decisões. E fomos mudando, mudando e não demos por nada. Enquanto nos afadigámos e nos irritámos, estávamos a ser moldados. Enquanto gritámos em frente ao espelho e engolimos o choro para enfrentar mais um dia, morriam pedacinhos de nós que simplesmente não poderiam mais existir. São as mudanças. As que pedimos, as que orámos, as que quisemos. Mas nós queríamo-las sem dor nem tensão... quem almeja coisas grandes, terá inevitavelmente que passar por tempestades grandes.

Deixa-me só dizer isto... tu queres mudar e vais conseguir. Tu queres a diferença e vais tê-la, mas nem toda a gente poderá acompanhar-te nem toda a gente vai gostar do que te vais tornar. Deixarás de ser uma utilidade para uns e uma brisa suave para outros. Serás o que tiveres de ser, e para isso não irás agradar a toda a gente. Somente creio que para nos construirmos não necessitamos de desconstruir ninguém. É algo nosso, da nossa galáxia, que não prejudique nem invada limites que temos de respeitar. 

Esta é para mim a verdadeira democracia, e que eu prefiro chamar de respeito e consideração. E a guerra é no nosso contexto, é um confronto connosco próprios. 

Não tem de matar ninguém, tem de remover a nossa velha casca.