(Só para adultos)
Elas têm um contrato com o espelho.
E é bom que este lhes mostre coisas bonitas e bem feitas senão temos sarilhos.
O cabelo tem de estar no sítio, o peito firme, as pernas bem torneadas e o traseiro em condições de encher umas calças bem justinhas. Fazem "biquinho", puxam o cabelo mais para um lado e fixam a imagem que vai desorientar os homens que elas querem atingir. Elas adoram-se. São bombas na cama. Prestam-se para tudo, informam-se bem das últimas tendências e praticam bastante. Vão puxando os homens que querem para junto delas com aquelas imagens que prometem bons momentos. Têm ousadia no falar, não são inseguras nem tímidas e respondem à letra. Têm seduções na ponta da língua e sabem como dizer as coisas "daquela maneira". E ao fim de algum tempo conseguem ser levadas para um canto qualquer escuro e darem a provar as coisas que mostravam naquelas fotografias, onde pareciam tão solitárias e tão carentes. E eles tornam-se os seus escravos por alguns momentos, enquanto as legítimas estão no lugar delas, preocupadas com os quilos a mais, os filhos, a celulite, o desapego, as obrigações e inconscientemente a desejar ser como uma daquelas, e ter os espelhos a mostrarem-lhes o melhor delas, irrepreensíveis. Desejam ter um homem que as considere deusas na vida dele. É o que todas queremos. Sermos as únicas da vida dele, sermos especiais para ele, e dignas de o ter descontrolado nos nossos braços. Aquele. Aquele. O que nos promete coisas, o que nos fez filhos, o que nos adoptou e nos foi buscar. Mas as feras andam por aí e eles deixam-se comer por qualquer motivo... e no fim de contas é um jogo de gato e rato, de gente que se alimenta uns dos outros e mais nada.
Eles voltam para as suas famílias e fingem estar tudo normal.
E elas despem a roupa ao fim do dia, tiram as pestanas postiças, o batom vermelho e os saltos altos e deitam-se desguedelhadas. E por mais gente que tenha lá entrado, nenhum ficou a sério. Nem um. Choram, lembram-se de quando eram meninas no colo dos pais e era tudo tão inocente e adormecem para depois voltar tudo ao mesmo no dia seguinte... até ver!
Ao fim do dia as máscaras caem todas.
Ao fim do dia somos todas iguais.

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