quarta-feira, 27 de abril de 2016

Não tenho medo do sol

Muitas vezes as pessoas falam dos desertos da vida, aquelas épocas em que as coisas parecem mais escuras, em que não se vê o que se gostaria de ver, épocas de adversidade. Logicamente que difere muito de uma época de alegria e de riso, mas pessoalmente não considero que esta seja melhor. É mais leve, é um alívio ter as coisas a correr bem, mas não é necessariamente melhor, para mim pelo menos.

Os desertos são lugares bonitos. A imensidão da areia recorda-nos da nossa pequenez e das nossas incapacidades. O sol é forte e não temos com que o evitar. É difícil ter sombras. Há pó. É seco. Mas aprende-se muito. No meio do deserto tenho as minhas alturas mais criativas. Sou mais sensível aos outros. Registo coisas, absorvo. E no devido tempo ponho cá para fora. No meio do deserto treino as minhas resistências, fico mais perto de Deus e construo coisas. Nada é desperdiçado, nada é deitado fora, apenas se refaz. No deserto há uma coisa que gosto - espaço. Não há ninguém, não há muita comida nem bebida, há espaço e ar. O deserto é um lugar de crescimento e de maturidade e feliz do que o passa humilde e pacientemente. Dali saem aqueles que um dia darão alimento a outros.



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