Muitas vezes as pessoas falam dos desertos da vida, aquelas épocas em que as coisas parecem mais escuras, em que não se vê o que se gostaria de ver, épocas de adversidade. Logicamente que difere muito de uma época de alegria e de riso, mas pessoalmente não considero que esta seja melhor. É mais leve, é um alívio ter as coisas a correr bem, mas não é necessariamente melhor, para mim pelo menos.
Os desertos são lugares bonitos. A imensidão da areia recorda-nos da nossa pequenez e das nossas incapacidades. O sol é forte e não temos com que o evitar. É difícil ter sombras. Há pó. É seco. Mas aprende-se muito. No meio do deserto tenho as minhas alturas mais criativas. Sou mais sensível aos outros. Registo coisas, absorvo. E no devido tempo ponho cá para fora. No meio do deserto treino as minhas resistências, fico mais perto de Deus e construo coisas. Nada é desperdiçado, nada é deitado fora, apenas se refaz. No deserto há uma coisa que gosto - espaço. Não há ninguém, não há muita comida nem bebida, há espaço e ar. O deserto é um lugar de crescimento e de maturidade e feliz do que o passa humilde e pacientemente. Dali saem aqueles que um dia darão alimento a outros.
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